a concorrência no mercado publicitário

Concorrência é boa.  Saudável.  Faz as pessoas se mexerem, estudarem, oferecerem mais.  Faz os resultados crescerem.  Ajuda o mercado de uma forma geral.  Isso é, em um cenário razoavelmente sadio.

Já no insano mundo da propaganda as coisas não são bem assim.  Você já viu, por exemplo, uma agência oferecer para o cliente durante uma concorrência, serviços de graça para que possa ganhá-la?

Que absurdo mais insano e imbecil é esse?  Será que eles não percebem que, fazendo isso só estão se f… complicando?  tiro no pé

Certa vez ouvi um dono de agência falando que estava dando metade de seus serviços de graça para poder entrar em um cliente e que, depois, iria reaver o prejuízo.  Eu vejo isso como aqueles profissionais em entrevista de emprego.  Sempre dizem aceitar tudo, não se incomodam em trabalhar demais, não se incomodam em viajar, em vender sua alma… mas na hora que tem que fazer, são os primeiros a ficarem reclamando sem parar.  Não me admira que logo voltem à fila do emprego.

discrepância interessante

Lendo algumas notícias me deparo com uma que me chama a atenção.

Michael Phelps, aquele nadador que se tornou mundialmente famoso por ganhar 8 medalhas de ouro nas olimpíadas chinhesas acaba de assinar um longo contrato com a Subway.

Nada de mais a princípio, ok (ainda mais no Brasil, que duvido que saia alguma peça sobre isso).  Porém, para os observadores mais atentos das Olimpíadas (especialmente para os americanos) duas coisas ficaram claras:
– o cara nada muito rápido
– o cara adora McDonald’s.

phelps

phelps

O cara adora McDonadl’s?  Sim, além de ter sido visto momentos antes de uma coletiva comendo um lanche de lá, ele mesmo e seu assessor confirmaram que a comida que ele mais gosta, disparado, é McDonald’s.

Agora, eu volto ao meu espanto inicial.  Como Diabos o Subway chama esse cara para um contrato desse tipo?  Será dinheiro jogado fora?  Será uma tentiva de mostrar ao mundo de que o Subway (nos EUA o concorrente do Mc que mais cresce) pode “converter” as pessoas?

Não sei.  Só sei que é bem arriscado, para não dizer, burro.

_tco

aah se meu vô tivesse vivo…

Certa vez eu esta zapeando na TV e parei no Bloomberg.  Ouvi o comentário do meu avô: “-Você tá maluco. Quem é que consegue prestar atenção em tanta coisa ao mesmo tempo.  Isso é impossível”.

De fato, para os padrões da época, ele estava certo (e cá entre nós, ele estaria certo até hoje.  Eu corto meu … dedo se alguém consegue prestar atenção em tudo aquilo).

Mas, deixando a Bloomberg a parte, o motivo do post é outro.  Eu fico imaginando se meu vô estivesse vivo hoje, qual seria o comentário dele ao ver isso (clique na imagem).

viximeudeusdoceuminhanossasra

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ser de casa?

Cada vez mais escuto gente falando que quer ser de casa.  De casa naquele restaurante que você sempre frequenta, de casa naquela balada ou em qualquer outro lugar que queira ser bem quisto.

Eu era um desses.  Até hoje. Mais precisamente até o almoço de hoje.  Estava eu compartilhando de alguns problemas pessoais com meu bom e velho amigo Du quando escuto, com seu habitual tom, sutil e delicado.

“É claro que isso acontece.  Você é burro.  Aliás, burro não, você é uma anta.  Você não pode ser de casa na sua agência.”

E não é que é verdade.  Quanto mais de casa, mais se complica.

de casa

Continuou ele: “Você já viu alguém que é de casa ser bem tratado em momento de aperto?  Você que tá sempre lá é aquele cara que senta na mesa perto do banheiro porque a casa ta lotada, ou, quando um amigo vai lançar qualquer coisa e te chama (aliás, implora que você vá lá prestigiá-lo), você é o que menos recebe atenção afinal, você é de casa, vai entender.”

A solução é ser milionário, não tem jeito.  Esses sim são sempre bem tratados em todos os lugares.

organize-se!

Há tempos venho brigando contra os mandos e desmandos das empresas contra os consumidores.  Pô, por que uma empresa pode, simplesmente, ignorar que eu (ou qualquer outro consumidor) existe e fazer o que bem entender (como enviar uma fatura errada, deixar de enviar a fatura, cobrar juros abusivos, enviar produto com defeito, não me atender satisfatoriamente, etc, etc, etc) e eu não posso fazer nada de errado?

Por que o consumidor tem que ser o elo mais fraco da corrente?  Por que somos apenas 01 baixinho contra 01 gigante?  Por que nossa voz é fina comparada a dos monstros?

ants1

A internet prometia (ainda promete, é verdade) uma revolução nesse sentido.  Iniciativas como facebook, orkut, wikipedia mostravam que as pessoas, organizadas conseguiam muito mais coisas, conseguiam ter poder frente aos monstros.  Mas, infelizmente, ainda somos (e eu me incluo nesse bolo) muito medrosos para conseguir alguma coisa a mais.

Mas uma coisa é fato.  Eles não sabem o que fazer contra movimentos.

coerência?

É impressionante a quantidade de empresas que não tem um objetivo apoiado por uma estratégia e um plano de ação.   Não estou discutindo aqui nem a qualidade dessa estratégia ou se ela tem sucesso ou não.  O que está me impressionando é o fato destas empresas (e são muitas) sequer terem uma.

Se você pegar uma das queridinhas dos marketeiros, a Apple.  Ela tem uma estratégia constante.  É claro que ela pode ser alterada conforme o vaivém do mercado ou o desconforto de algum dos líderes mundiais.  Mas a personalidade da marca, seus objetivos, estratégias e preceitos estão lá.

Agora, pergunte para uma empresa X (eu não vou dar o prazer a vocês de dizer o nome, até porque ela pode ser qualquer uma então, eu sempre me sairei bem) quais seus objetivos?  Quais são os preceitos que regem seu relacionamento com o mercado, sua postura diante dos clientes, concorrentes, etc.  De novo, as estratégias, o plano de ação e até mesmo o objetivo pode mudar, mas é necessário ter uma coerência e não um monte de ações isoladas que nada dizem e não se comunicam, só criam mais e mais confusão na cabeça do consumidor.

Pra ficar mais fácil.  Neste exato momento estou sentado na fila de espera de um laboratório médico para fazer um exame.  O laboratório foi na onda de muitas empresas e encheu as esperas de televisões com conteúdo do próprio laboratório e generalidades.   Agora, vejam vocês que legal.  Eu acabei de ficar sabendo (hoje é dia 10 de novembro de 2008) que o Brasil, após ter sido goleado pela Argentina, deu a volta por cima e garantiu o terceiro lugar nas Olimpíadas ao ganhar da Bélgica.  O que??  Faz meses que isso aconteceu.  Ok, ok, esse é um exemplo banal, mas mostra a falta total e completa de coerência e uniformidade nos esforços de relacionamento das empresas com seus clientes.  Pô, se é pra ser assim, coloca logo no cartoon network ou então no discovery channel e tá tudo certo, você passa o tempo do freguês e não passa vergonha.

Um jeito fácil de fazer isso.  Compre uma porcaria de um livro de marketing e vá seguindo passo-a-passo.  Muito trabalho?  Me manda um email e me contrata. Sai um pouco mais caro, mas o resultado é ainda melhor.

Ou então, continua fazendo com o português, que vendeu a última televisão pra comprar o video-game do filho.

_tco

puxa saquismo X profissionalismo

A discussão é velha no mundo da comunicação.   Cliente e agência.  Como deve ser a relação?  -Aliás, não apenas entre cliente e agência, e sim entre todas as profissões que envolvam clientes (até mesmo entre agências e seus fornecedores eu vejo isso acontecendo).

puxa-saco

puxa-saco

O fato é que, de uns anos prá cá (minha história neste mundinho é relativamente curta, pouco menos de 10 anos), vivemos uma forte tendência aonde sai de cena o puxa-saquismo (auqele modelo de relacionamento puro) e entra em voga o do profissinalismo (aonde o cara tem noções de relacionamento, é claro, mas o foco está muito mais no lado profissional, nas soluções oferecidas, nas idéias e até em bater o pé quando o cliente pede porcaria).

É claro que ambos sistemas tem seus lados bons e ruins.  Mas eu, como fui criado no método profissionalismo (afinal, não sou mulher bonita, tampouco tenho mais de 1,80m e seis gomos na barriga) defendo o meu lado e digo espantado uma coisa:  Miutos clientes (com algumas excessões, é claro) ainda preferem o método antigo, mesmo com todos os pontos contra.

O cliente prefere uma pessoa do lado dele o tempo todo, servindo de babá e falando exatamente o que ele quer ouvir, mesmo que isso signifique, no futuro, você vai perder o seu emprego.  O cliente prefere isso a alguém que lhe diz: “pense bem, se você fizer isso as consequências serão essas, ao passo que, se fizer isso, poderá ter isso e isso e isso”.

É claro que a agência de marketing ou comunicação não está sempre certa, o que fazemos é somar nosso expertise ao do cliente, mas ser uma vaquinha de presépio que concorda com tudo e só discorda na hora de amenidades insignifcantes faz muito mal para o cliente… e muitos deles ainda gostam disso.

Calma chefe (sim, o cliente é meu chefe, mais meu chefe que você, Vila), não estou dizendo que você precise aturar gente chata que conteste tudo, mas se o cara concordar com tudo que você fala, das duas uma:  ou você é Deus, ou cara é um m*****.  E, como eu não sou puxa-saco.  Você não é Deus, sinto muito.

_tco