
uma pesquisa perguntou a milhares de pessoas quais eram as profissões mais respeitadas (eticamente) que existiam. Farmacêuticos, médicos, professores universitários e policiais (até parece).
correndo por fora, em 11º, os jornalistas ainda fizeram bonito, advogados e políticas logo atrás, em 16º e 17º. lá embaixo, em 25º lugar, logo depois dos vendedores estavam os publicitários. apenas uma profissão recebeu uma qualificação mais baixa e é justamente nesse momento que devemos respirar fundo e agradecer pela existência dos vendedores de carros.
mas pára e pense comigo. o cidadão não pode mais ouvir sua rádio predileta sem escutar quilos e mais quilos de propaganda, mesmo quando coloca um cd ele está sujeito a ouvir intervenções comerciais. grandes marcas pagam a artistas para citarem seus produtos em suas músicas. veja você. revistas, televisão (mesmo durante a novela, o merchandising invade cada vez mais a nossa telinha). como queríamos que eles nos achassem éticos?
dizem que o ser humano típico, padrão, nos grande centros, está exposto a mais de 3.000 anúncios publitiários por dia. o ser humano típico tem um seio e um testículo, por isso não gosto dessas médias e realmente acredito que 3.000 seja um exagero.
mas, mesmo que sejam 1.000 intervenções dia, estamos falando de algo extremamente exagerado. acredito ter visto isso ontem, não me lembro nem de 10. gostar, só de uma.
nós desenvolvemos uma capacidade incrível, uma real evolução de nos prepararmos e blindarmos contra todo e qualquer tipo de anúncio publicitário que não nos interesse. atualmente nem precisamos do controle remoto para ignorar completamente esses anúncios.
não que a propaganda seja ineficaz, muito pelo contrário. existem muitos materiais e cases que nos indicam o contrário. mas sem dúvida, precisamos repensar, profundamente, a forma como fazemos mídia atualmente.
uma análise sobre a eficácia da publicidade certamente teria muitos exemplos de campanhas cujo sucesso foi conquistado mais por seu peso bruto e sua presença na mídia, do que por conceitos estratégicos inteligentes ou soluções criativas de mérito.
e parafraseando o sr Steel, se a propaganda fosse uma pessoa (para usar uma técnica de projeção muito comum entre moderadores de pesquisas qualitativas), seria alguém com uma contagem de espermatozóides muito baixa.
